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julho 21, 2009

Governo leva mais da metade da renda extra gerada nos últimos dois anos

Do blog A Mão Visível, de Alex Schwartsman:
…em 2008 o PIB aumentou o equivalente a R$ 139,6 bilhões de reais (a preços de 2008). Neste mesmo período o governo (em suas três esferas) aumentou a tributação em valor equivalente a R$ 79,7 bilhões e seus gastos em R$ 72.5 bilhões. Vale dizer, de cada 100 novas unidades de PIB , o governo tributou 57, gastando 52 (em 2007 estes números foram 56 e 45), na prática se apropriando de mais da metade do PIB marginal.
Ou seja, além da carga tributária bater na trave dos 36% do PIB em 2008, quer dizer, de toda a riqueza produzida no Brasil nesse ano, a situação é bem pior se olharmos adiante.
Do PIB marginal, a quantidade extra de riqueza gerada entre 2008 e 2007, o governo se apropriou de 57%, e deles gastou quase tudo, 91,2%, com a máquina (52/57x100), deixando o que sobrou para investimentos. Para o PIB marginal de 2007, a diferença entre o PIB desse ano e o de 2006, o gasto com a máquina foi um pouco menor, a bagatela de 80,3% (45/56x100).
Moral da história: precisaremos todos nos converter ao zen budismo para tolerar as mordidas cada vez mais esfomeadas da besta fiscal brasileira.
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julho 07, 2009

A política fiscal e o relógio quebrado

De Alexandre Schwartsman, reforçando o coro de que o governo brasileiro expande seus gastos de forma permanente, espremendo os investimentos e pressionando a taxa de juros para cima. Assim, o avião brasileiro voa com uma turbina só, a injustamente mal falada política monetária:

o relógio quebrado, não interessa a hora do dia, marca sempre a mesma hora, enquanto a política fiscal no Brasil, independente do momento do ciclo econômico, estimula continuamente a demanda doméstica. Assim, da mesma forma que, duas vezes ao dia, o relógio quebrado aparenta mostrar a hora certa, a política fiscal brasileira, neste momento recessivo, parece apresentar o sinal correto. Ademais, assim como um relógio quebrado não é a melhor solução para saber a hora certa, também nosso arranjo da política fiscal não é o mais apropriado para lidar com o ciclo de negócios.

Segundo dados divulgados pela Secretaria do Tesouro Nacional, o resultado primário do governo federal, corrigido pela inflação, encolheu cerca de R$ 32 bilhões nos quatro primeiros meses do ano relativamente ao mesmo período do ano passado. Destes, menos da metade (R$ 13 bilhões) se referem à queda da receita, associada à menor atividade econômica. A maior parte da expansão fiscal se deu pelo aumento do gasto público corrente (em torno de R$ 17,5 bilhões), enquanto parcela ínfima (pouco mais de R$ 1 bilhão) resultou do crescimento do investimento federal, a despeito da fanfarra em torno do PAC (…)