Mostrando postagens com marcador Crise Financeira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise Financeira. Mostrar todas as postagens

novembro 05, 2009

Por favor, devolva o prêmio Nobel...

Em 2002, logo após ser agraciado pelo Nobel de economia, Joseph Stiglitz escreveu um artigo com Peter Orzag (hoje o diretor responsável pelas propostas da Casa Branca para o orçamento americano) sobre os possíveis custos de socorro às duas maiores empresas ligadas ao setor imobiliário americano, Fannie Mae e Freddie Mac. Isto é, são duas firmas que se especializaram em comprar hipotecas de vários bancos ao redor dos EUA e transformá-las em ativos financeiros, repassando-os a outros bancos. A idéia é boa pois reduz o risco de falência de bancos imobiliários com mercado locais, mas o problema é que a qualidade das hipotecas envolvidas nesta operação só veio diminuindo com a aceitação das famosas sub-prime, isto é, de alto risco. Ambas as empresas continham uma série de garantias do governo americano, sendo chamadas de GSE (government sponsored enterprises, ou empresas "patrocinadas" pelo governo) que na prática diminuiam em muito os riscos associados à operação com estas empresas.

A conclusão do artigo é que o risco de quebra destas empresas era de cerca de 1 chance em 500.000 na pior das hipóteses, podendo chegar a 1 em 3 milhões! Logo, o custo esperado do resgate das empresas pelo governo americano (na simulação deles, prover uma garantia de 1 trilhão de dólares) seria da ordem de "apenas" 2 milhões de dólares (ou seja, o 1 trilhão vezes a probabilidade de quebra 1/500.000).

Seis anos depois, em julho de 2008, as duas empresas tiveram que ser estatizadas pelo governo americano, que até o presente momento, gastou cerca de 287 bilhões de dólares com as duas empresas.

O artigo foi escrito para uma série chamada Fannie Mae Papers e curiosamente foi retirado da página deles. Talvez o Stiglitz devesse devolver o prêmio Nobel, para ajudar a pagar a conta salgada da roleta financeira que estas empresas impuseram ao povo americano, talvez ajudadas pelo carimbo de confiança nobelista...

Dica: EconTalk (entrevista com Charles Calomiris)

setembro 29, 2009

Fundo anti-crise

Os governos dos EUA e da Europa se esforçam para apresentarem medidas de reformulação do sistema financeiro; uma regulação mais estrita é o resultado mais provável. No entanto, a falha enorme de regulação, principalmente no que concerne ao crescimento desordenado da securitização das hipotecas (isto é, transformar as dívidas que os compradores de imóveis tomaram em instrumentos financeiros) lança suspeita sobre a eventual eficácia de tais poderes adicionais em proteger a economia de novas crises. Uma proposta de Edward Glaeser, professor de Harvard, é constituir um fundo anti-crise, taxando os bancos à medida que eles assumam mais riscos do que é considerável prudente. Os fundos seriam então revertidos para arcar com os custos de uma eventual necessidade de injeção de recursos nos bancos caso venha nova crise. Alguma coisa me diz que, embora a idéia seja boa, na medida em que o fundo comece a arrecadar, o governo vai pensar em fazer alguma coisa "produtiva"com este dinheiro "parado"; quem sabe não incentivar os pobres a comprarem as suas casas? Ou trocar a lata velha da garagem?

setembro 15, 2009

O fim da recessão?


A crise econô
mica ficou para trás, sugere o presidente do banco central americano, Ben Bernanke. O que aconteceu com as previsões apocalípticas do ano passado? cadê a nova Grande Depressão? Faz um ano que o Lehman Brothers quebrou e iniciou um pânico generalizado na economia mundial, com os governos dos países desenvolvidos tomando medidas enérgicas de intervenção nos mercados financeiros, salvando bancos e empresas com empréstimos bilionários. Os indicadores econômicos começam a melhorar, mas a crise econômica pode ser mais profunda, se a mensagem que ficar é que os governos salvaram o mundo dos capitalistas selvagens, quando na verdade boa parte do que foi feito é de pleno interesse daqueles que mais contribuiram para que a crise começasse em primeiro lugar.


agosto 04, 2009

A porta de saída

Emergency Exit

Ben Bernanke, presidente do FED, o banco central americano, explica qual é a estratégia para impedir que o estímulo monetário se transforme em inflação quando a recessão terminar.

My colleagues and I believe that accommodative policies will likely be warranted for an extended period. At some point, however, as economic recovery takes hold, we will need to tighten monetary policy to prevent the emergence of an inflation problem down the road. The Federal Open Market Committee, which is responsible for setting U.S. monetary policy, has devoted considerable time to issues relating to an exit strategy. We are confident we have the necessary tools to withdraw policy accommodation, when that becomes appropriate, in a smooth and timely manner.
.

julho 10, 2009

A tempestade perfeita

perfect storm
O renomado Olivier Blanchard, professor do MIT e, hoje, economista-chefe do FMI, revê as quatro condições que fizeram a crise de 2008 se agigantar e tragar o mundo de surpresa. O artigo não traz novidades mas, embora escrito em economês, é uma pérola de precisão.
Blanchard lista quatro elementos fundamentais à crise:
The trigger for the crisis was the decline in housing prices in the United States. But the initial losses from the subprime crisis were not huge in comparison with a measure such as U.S. stock market capitalization and were greatly overshadowed by subsequent world stock market declines (see chart). However, over the years, the stage was being set for a much larger crisis. Blanchard cited four preconditions: the underestimation of risk contained in newly issued assets; the opacity of the derived securities on the balance sheets of financial institutions; the interconnection of financial institutions, both within and across countries; and the high degree of leverage of the financial system as a whole.
Os números chocam:
In 2006, the value of the off-balance-sheet assets of Citigroup, $2.1 trillion—exceeded the value of the assets on the balance sheet, $1.8 trillion. The problem went far beyond banks. For example, at the end of 2006, “monoline insurers,’’ which insured a particular risk—such as default on municipal bonds—and operated outside the perimeter of regulation, had capital equal to $34 billion to back insurance claims against assets valued at more than $3 trillion.

junho 17, 2009

Paul Krugman delineia um futuro gelado

paul_krugman

Paul Krugman, prêmio Nobel de Economia de 2008, acredita que o mundo mergulhou em uma crise duradoura, que lembra a que afeta o Japão desde a década de 90. Os japoneses têm hoje o mesmo PIB de 1992 e entraram nessa Era do Gelo por conta de uma crise bancária causada também pelo estouro do mercado de imóveis. Ou seja, pelo mesmo tipo de caminho que a recessão americana começou, arrastando com ela o resto do mundo.
Para os países ricos, ele prevê mais dois anos de recessão e talvez uma década de estagnação. Acha que a Alemanha é o país mais encrencado do grupo e que a Inglaterra, por estar fora da Zona do Euro, pode sair antes dos demais. Desatrelado ao Euro, ela deixou sua moeda se desvalorizar, incentivando as exportações. Veja a entrevista completa no The Guardian.

Krugman parece pessimista demais em relação ao mundo e igualmente confiante na sua capacidade de prever o futuro. Ele está contra a maré, pois há sinais de que o fundo do poço passou. O reinado dele como prêmio Nobel do ano também termina no segundo semestre de 2009, quando o prêmio será novamente concedido.
.

junho 10, 2009

Crise atual x Depressão de 30: não tem comparação

Toda vez que ocorre algum tipo de crise econômica, a imprensa tenta fazer algum tipo de comparação com a Depressão de 30. Dessa vez parece fazer sentido, já que o mergulho iniciado no ano passado foi assustador. Mesmo assim, nada que se compare a hecatombe econômica que marcou a década de 30 nos EUA.

Crise 2


Dica: Greg Mankiw
.

junho 03, 2009

Crise salva vidas ao reduzir poluição

baby

Michael Greenstone e Kenneth Chay, economistas, respectivamente do MIT e Brown University, fizeram um estudo que mostrou que a lei do Ar Limpo, aprovada nos EUA em 1972, salvou a vida de muitos bebês. A pedido da The Economist, eles estimaram em número de vidas os benefícios da redução de poluição em consequência dessa super crise mundial. Na China, o número pode chegar a mais de 100 mil pessoas.

The results of his elaborate back-of-the-envelope calculation are striking. Up to May 19th, this recession has saved between 257 and 451 British babies, between 1.104 and 1,933 American babies, and probably between 58,088 and 101,655 Chinese babies. Dr Greenstone took December 1st 2007 as the start of the recession. He downloaded particulate pollution data for monitoring sites on Marylebone Road in London and on 114th Street in Chicago, and gathered information on Beijing’s air quality from China’s Ministry of Environmental Protection.

maio 19, 2009

Preguiçosa mas prudente, a Noruega dribla a crise

norway

Apesar de ser o terceiro maior exportador do mundo, a Noruega conseguiu evitar a chamada maldição do petróleo que atinge os países produtores. A maioria gasta mal as receitas provenientes dessa herança natural e desenvolve uma economia ineificiente, com frequência comandada por um governo autocrático. Dos 20 maiores exportadores de petróleo, 16 são ditaduras.

A Noruega, ao contrário, é democrática e próspera. Foi espartana na administração dessa riqueza inesperada, mantendo superávits nas contas públicas, que a permitiram suavizar o impacto da crise financeira e crescer quase 3% em 2008. No ranking mundial, é o segundo país em IDH e PIB per capita, com 52 mil dólares por ano.

Unlike Dublin or Riyadh, Saudi Arabia, where work has stopped on half-built skyscrapers and stilled cranes dot the skylines, Oslo retains a feeling of modesty reminiscent of a fishing village rather than a Western capital, with the recently opened $800 million Opera House one of the few signs of opulence.

Em compensação, continuou a manter talvez o mais gordo programa europeu de welfare.

“This is an oil-for-leisure program,” said Knut Anton Mork, an economist at Handelsbanken in Oslo. A recent study, he pointed out, found that Norwegians work the fewest hours of the citizens of any industrial democracy.

(…)

Just around the corner from Norway’s central bank, for instance, Paul Bruum takes a needle full of amphetamines and jabs it into his muscular arm. His scabs and sores betray many years as a heroin addict. He says that the $1,500 he gets from the government each month is enough to keep him well-fed and supplied with drugs.

Mr. Bruum, 32, says he has never had a job, and he admits he is no position to find one. “I don’t blame anyone,” he said. “The Norwegian government has provided for me the best they can.”

maio 11, 2009

Buffett: o mercado financeiro não precisa de gênios



No encontro anual do Berkshire Hathaway, o fundo do mítico investidor Warren Buffett, ele deu três lições:
  1. Ninguém escapou de perder dinheiro no mercado financeiro em 2008, inclusive ele.
  2. Investir não é 'Rocket Science', é administrar seu portfólio dentro da sua área de competência.
  3. Compre as ações de qualidade e as mantenha. Não explore o lucro de curto prazo. Aumente suas posições no que vale a pena.
Melhor frase:

"If you are in the investment business and have an IQ of 150, sell 30 points to someone else".


Dica: Lifehacker

maio 05, 2009

Tête à tête nos gastos públicos

O vídeo abaixo, de um think tank liberal, mostra que a economia americana cresceu 50% mais rápido que a francesa nos últimos 30 anos, alcançando uma renda per capita de 45 mil dólares contra 33 mil dólares da última. A diferença de renda disponível (subtraindo os impostos) é maior ainda. O estado frânces tem mais programas de proteção social, mas sua capacidade de taxar e prover serviços é limitada pela renda per capita menor.


Entretanto, a tentativa de mitigar a atual crise está aumentando rapidamente os gastos do governo americano. Como parcela do PIB eles estão se aproximando rápidos do nível canadense, considerados os ‘socialistas’ da América do norte. O Canadá está fazendo o caminho oposto e já cortou os gastos públicos em mais de 10 pontos percentuais desde 1990, passando de mais de 50% do PIB para abaixo de 40%.

USxCanada

Dica: Mankiw e Marginal Revolution
.

abril 08, 2009

abril 02, 2009

Kenneth Rogoff: boas e más notícias sobre a crise



Kenneth Rogoff, prof. de Harvard e ex economista-chefe do FMI estudou outras crises financeiras pelo mundo e chegou a duas conclusões: todas terminam e todas são longas.

These forecasts may seem somber, but so far the U.S. experience has mirrored past deep banking crises around the world to a remarkable extent. In our forthcoming book, "This Time Is Different: Eight Centuries of Financial Folly," we compare the U.S. crisis with earlier banking-crisis episodes in Spain, Norway, Finland, Sweden, Japan, Hong Kong, Indonesia, Korea, Malaysia, the Philippines, Thailand, Colombia and Argentina over the past three decades. It may seem like hyperbole to compare the United States with emerging markets, but hard evidence suggests it is not.

Dica: blog do Mankiw